terça-feira, 29 de abril de 2014

LANÇAMENTO DA 2ª EDIÇÃO DO "BRUXAS CELTAS"

Com muita alegria, anuncio o lançamento da 2ª edição do Bruxas Celtas, no dia 10/05 a partir das 14hs. na loja Profecias na Galeria do Rock em São Paulo.
Convido a todos que estiverem em SP para um bate-papo sobre o tema e para quem ainda não tem o livro, para a tarde de autógrafos.
Bjs e bênçãos...


domingo, 27 de abril de 2014

Interessantes Histórias sobre Naufrágios



La Belle

O navio La Belle foi recuperado na costa do Texas. Para tanto, a Comissão Histórica do Texas construiu uma enseada artificial em pleno mar, bombeando a água para fora. Depois de dois anos de trabalho, foram recuperados 1 milhão de objetos, dentre os quais 750.000 eram vidros coloridos usados pelos colonizadores como moeda de troca com os índios.
O La Belle e outros três navios, o L’Aimble, Le Joly e Saint François, partiram da França em 1.684 com 300 homens e a missão de colonizar a bacia do Rio Mississipi, na América. Mas a expedição foi um desastre. Nas Antilhas, o Saint François foi tomado por piratas. Na viagem, o escorbuto e a malária mataram muitos tripulantes. A frota passou direto pelo Mississipi, dirigindo-se por engano para o Texas, 800 quilômetros adiante. Na Baía de Matagorda o L’Aimable afundou, levando suprimentos vitais. Então, parte dos tripulantes desistiu e voltou para a França no Le Joly.
Mas o comandante da missão, La Salle, permaneceu no La Belle com 170 homens e prosseguiu. Em dezembro de 1.685 saiu de canoa para encontrar o Mississipi. O La Belle seguia atrás. Durante um mês, os dois grupos exploraram a região sem manter contato, até o galeão ser encontrado às moscas: a tripulação inteira fora morta pelos índios. Duas semanas depois, o explorador saiu de novo, deixando oito homens a bordo. Nunca mais viu o navio. Em 1.686, o La Belle foi afundado por uma tempestade.

HMS Curacoa

O transatlântico mais famoso do mundo, o Queen Mary, foi protagonista de um obscuro acontecimento perto das costas de Irlanda. Quando se encontrava a 80Km da ilha, o Queen Mary que transportava a 10.000 soldados americanos e canadenses se chocou contra o seu navio-escolta, o HMS Curacoa, que era bem menor. O Curacoa foi atingido no meio e como o gigante Queen Mary sequer reduziu a marcha, foi partido em dois e afundou em seis minutos. Neste dia fatídico, 338 membros da tripulação perderam a vida. O acontecimento converteu-se num dos segredos melhor guardados da II Guerra Mundial.


HMS Audacious

Na costa norte da Irlanda, mergulhadores descobriram em águas profundas os restos de um couraçado. Tratava-se do superdreadnought britânico HMS Audacious, que afundou no início da I Guerra Mundial. Naquele momento acreditava-se que era impossível o Audacious afundar: era o orgulho da Marinha Real britânica e a sua unidade mais poderosa para a primeira linha de batalha.
Entretanto, falhas de projeto e a incompetência da equipe de emergência do navio levaram centenas de pessoas à morte quando o navio explodiu, na época por causas inexplicáveis.
O alto comando da Armada Britânica ordenou a não divulgação do ocorrido e chegaram ao ridículo de construir um navio para imitar o Audacious e dizer que ainda navegava. A tripulação do Audacious que sobreviveu jurou silêncio e foi recolocada. Nunca mais ninguém falou no assunto.

SS Armenian

 O SS Armenian era um navio de carga americano que em 1.915 passava pelo canal de Bristol transportando, dentre outras coisas, 1.400 mulas destinadas à frente de batalha oriental. Um submarino alemão detectou o navio e fez disparos de aviso. Para evitar ser capturado, o capitão do SS Armenian iniciou a fuga enquanto o submergível o atingia com disparos. O capitão ordenou à tripulação que abandonasse o navio. Assim que os últimos tripulantes estavam a salvo nos botes salva-vidas, o submarino lançou um torpedo fazendo o navio afundar em alguns minutos, levando consigo os pobres animais.
Mais de 90 anos depois, o navio que ficou conhecido como Bone Wreck, ou “naufrágio de ossos” ainda não havia sido encontrado e equipes de mergulhadores profissionais continuam procurando por ele.

Wilhelm Gustloff


No fim da 2ª Guerra Mundial, este navio alemão que transportava milhares de civis refugiados da guerra foi bombardeado por um submarino soviético, o S13, no mar báltico e afundou, matando milhares de pessoas inocentes, em parte afogadas ou por hipotermia (a temperatura era de -10ºC).
Projetado para levar 2.000 pessoas, naquela noite (30/01/1945) transportava cerca de 9.343, em sua maioria mulheres e crianças que fugiam da invasão russa, assim como soldados feridos. Apesar do número de mortos superar e muito o do Titanic (onde morreram cerca de 1.500 pessoas), não causou a comoção que o naufrágio deste último, que ocorreu em 1.912, causou.

Goya

Era um cargueiro norueguês construído em 1.940, pilhado pela Alemanha nazista quando esta ocupava a Noruega. Em 16 de abril de 1.945, zarpou da península de Hel pelo mar Báltico levando militares feridos e civis que fugiam do exército russo.
Como ocorreu com o Wilhelm Gustloff, foi percebido pelo submarino russo L-3. O navio começou a afundar 7 minutos após ser atingido por torpedos, tempo muito curto para uma possível evacuação.  Porém o que mais impressiona nessa tragédia é o número de mortos: mais de 7mil pessoas morreram, ao passo que apenas 183 foram resgatadas.




terça-feira, 1 de abril de 2014

GÖBEKLI TEPE - O TEMPLO MAIS ANTIGO DO MUNDO

Pilares do templo de Göbekli Tepe. Os entalhes provavelmente representam sacerdotes dançando durante um ritual ou assembléia religiosa. 

Göbekli Tepe é um sítio arqueológico localizado na Turquia. Foi descoberto em 1.960, mas os escavadores da época acreditaram tratar-se de um antigo posto militar bizantino e as lajes de pedras foram consideradas lápides. Abandonaram o sítio sem prosseguirem com as escavações.
Em 1.994, o arqueólogo alemão Klaus Schmidt, pesquisador do German Archaelogical Institute – DAÍ, estava estudando sobre o período Neolítico em um sítio arqueológico próximo e decidiu dar uma olhada em uma montanha chamada Potbelly, cujo topo era arredondado, local este chamado pelos moradores locais de Göbekli Tepe.
Iniciou as escavações no outono daquele ano e após meses descobriu que as lajes de pedras eram os topos de pilares gigantescos que formavam um círculo. Continuou as escavações auxiliado por uma equipe formada por estudantes alemães e turcos, que se revezavam, bem como cerca de 50 trabalhadores das redondezas. Anos após o início dos trabalhos descobriu mais alguns círculos formados por estes pilares em forma de T.
Em 2.003 uma leitura geomagnética revelou existirem cerca de vinte círculos de pedras naquele local, a maioria ainda por ser desenterrada. Os pilares mais altos possuem 18m de altura e pesam cerca de dezesseis toneladas. Os arqueólogos fixaram a data da construção de Gobekli Tepe por volta de 10.000 a.C.
As superfícies dos pilares foram entalhadas com figuras de animais em baixo e alto relevo, cujos estilos artísticos diferem entre si. Alguns são mais rústicos, enquanto outros lembram muito a arte refinada e simbólica dos bizantinos. 

Animais entalhados nos pilares de Göbekli Tepe.


Em outras partes da montanha, Schmidt encontrou o maior número de ferramentas de pedras que já havia visto. Eram facas, cutelos, um verdadeiro depósito do período Neolítico. Havia mais ferramentas ali em 1m2 do que os arqueólogos encontraram em  sítios arqueológicos inteiros.
Na opinião de Schmidt, os pilares imitariam os seres humanos, todos reunidos em um ritual religioso. Os animais entalhados nos pilares, em sua maioria já extintos, alguns sequer conhecidos, poderiam representar proteção espiritual aos participantes do ritual, estariam apaziguando-os ou estariam “encarnando” nos humanos ali representados pois seriam animais totêmicos, dando-lhes o seu poder.


Os arqueólogos ainda estão escavando Göbekli Tepe e debatendo seu significado. Os estudiosos que defendem a tese dos alienígenas do passado, afirmam que o complexo de círculos de pedras foi construído segundo instruções e instrumentos de uma raça alienígena para que pudesse ser avistado do espaço, ao mesmo tempo em que teria servido como base para o pouso das naves espaciais.
Mais importante do que o que os arqueólogos encontraram é o que eles não encontraram, ou seja, não há um único vestígio de habitações próximas ao complexo. Centenas de trabalhadores devem ter sido requisitados durante anos para construir um templo como este numa época em que não existiam nem a roda, nem animais de carga.
No local não há fontes d’água, que também não existiam na época, sendo a mais próxima a quase cinco mil quilômetros de Göbekli Tepe, assim como não existem traços de agricultura e de fogueiras que teriam sido usadas para cozinhar alimentos.
Entretanto, a julgar pelos inúmeros ossos de animais encontrados no local, os trabalhadores devem ter sido alimentados por caçadores que levavam as presas até lá. A construção de Göbekli Tepe aponta para um grupo organizado, mas Schmidt ainda não encontrou informações acerca da existência de uma hierarquia e como seria.
Não existem túmulos no local, que poderiam demonstrar o status daqueles que ali estiveram; não há evidências de locais reservados para as pessoas mais importantes, nem para a casta inferior desta sociedade ou comunidade.
Schmidt acredita tratar-se de um povo nômade que vivia da caça e coleta. Neste caso, de fato não costumavam, como não costumam até hoje, construir estruturas permanentes. Entretanto, o povo que construiu Göbekli Tepe está longe de ter seus mistérios desvendados.
O templo parece ter sido abandonado por volta de 8.200 a.C., quando foi deliberadamente enterrado. Schmidt e todos os estudiosos ainda tentam descobrir “Por que”, “Como” e “Por quem” Göbekli Tepe teria sido construído, como foi usado, qual sua real finalidade e por fim, por que foi desativado e qual o motivo de ter sido enterrado, trabalho este que deve ter demandado muito tempo e muitos trabalhadores, ao invés de simplesmente ter sido abandonado.
De qualquer forma, Göbekli Tepe revolucionou a Idade da Pedra, especialmente as teses até então sustentadas sobre o homem do período Neolítico. Há cerca de vinte anos, os estudiosos acreditavam conhecer toda a revolução que ocorrera no Neolítico, que foi a transição crítica do homem nômade e coletor para o surgimento de comunidades sedentárias que desenvolveram a agricultura e criação de animais.
Mas nos últimos anos, se multiplicaram as novas descobertas que estão derrubando tudo que se acreditava saber sobre o homem da Idade da Pedra, e sem dúvida, Göbekli Tepe está encabeçando esta revolução na arqueologia.
A sedentarização do homem do Neolítico estaria atrelada ao fim da Era Glacial, quando o derretimento do gelo permitiu que o surgimento de terras cultiváveis e a procriação de animais com relativa facilidade. Tal revolução teria tido início em um único lugar que seria na Suméria (localizada na parte sul da Mesopotâmia), entre os rios Tigre e Eufrates, estendendo-se para a Índia e posteriormente alcançando a Europa.
Porém, depois do descobrimento de Göbekli Tepe, as pesquisas sugerem que a chamada revolução do Neolítico ocorreu simultaneamente em vários lugares do globo durante centenas de anos, além de não ter sido proporcionada pela mudança climática mas outro motivo completamente diferente.
Além disso, hoje os arqueólogos discutem a tese de que os seres humanos teriam se fixado em comunidades mas ainda mantinham hábitos de caça e coleta, e que a prática religiosa veio antes ainda do que a agricultura, surgindo para diminuir as tensões oriundas da vida em sociedade, face às obrigações coletivas dos indivíduos.

Descoberto no Verão de 2.010, parte deste portal do templo extraordinário de 12.000 anos está circundado por animais ferozes entalhados, incluindo uma cobra, um aurochs (boi selvagem já extinto), um javali e um predador não identificado. 

Schmidt faz uma previsão de que dentro de 10 ou 15 anos, Göbekli Tepe será mais famoso que Stonehenge, por todos os motivos. Até lá, esperamos poder saber um pouco mais sobre esta estrutura fascinante.  

*Todas as fotos são da National Geographic Image Collection, de autoria de Vicent J. Musi

A deusa que há em mim saúda a deusa ou o deus que há em você!

Lady Mirian Black