quarta-feira, 25 de abril de 2012

Índice do livro "Bruxas"


Introdução, 19
Parte 1 Os povos celtas, 27
Capítulos
1 Origem das primeiras comunidades europeias, 31
2 Surgimento dos povos celtas, 35
3 Os gauleses – celtas da Gália, 40
4 Os Gálatas – celtas da Ásia, 43
5 Os Celtíberos – celtas da Península Ibérica, 45
6 Celtas na Alemanha, República Tcheca e Grécia, 47
7 Os celtas da Grã-Bretanha, 49
8 Os celtas da Escócia, 54
9 Os celtas do País de Gales, 58
10 Os celtas da Irlanda, 59
11 As tribos célticas mais conhecidas, 62
12 As sociedades matrilineares celtas, 66
13 A condição da mulher nas sociedades celtas até a romanização
e a posterior cristianização, 69
14 A condição da mulher nas sociedades celtas após a cristianização, 81
15 As casas das bruxas celtas, 85
16 Aparência física dos celtas, 96
17 Ritos célticos funerários, 101
18 Os monumentos de pedras, 106

Parte 2 Religião celta, 109
Capítulos
19 Religião e magia – conceitos, 112
20 Conceito medieval e moderno de “bruxa”, 113
21 O Outro Mundo, 115
22 Os deuses celtas, 126
23 Domínios célticos do Outro Mundo e sua conexão com a Natureza, 134
24 A antiga arte celta de contar histórias, 141
25 A música e a poesia encantadas do Faery, 145
26 Druidisas, bruxas celtas, seanachies e profetisas – a mulher como oficiante na religião celta, 147
27 Os druidas, 151
28 A história do tuatha dè Danann e seus quatro tesouros mágicos, 160
29 O calendário céltico, 163
30 Maldições célticas, 176
31 Juramentos célticos, 182
Parte 3 Introdução à prática da magia celta, 187
Capítulos
32 O poder dos rituais segundo Jung, 190
33 As iniciações na magia celta, 193
34 A Prece do Coração, 195
35 Nomes encantados, 196
36 Roupas da bruxa para rituais – a roupa encantada, 198
37 O livro encantado, 202
38 Os Espíritos Guardiões da Natureza, 204
39 Instrumentos básicos para a prática da magia celta, 208

Parte 4 Magia celta – rituais elementares, 209
Capítulos
40 Glannad ou purifi cação, 213
41 Ritual de meditação e conexão com as árvores, 217
42 Ritual de magnetização de talismãs/amuletos, 219
43 Os quatro tesouros na magia celta, 225
44 Ritual de consagração dos quatro tesouros, 242
45 Ritual de saudação dos guardiões das estações, 245
46 Os Espaços Sagrados celtas, 249

Parte 5 Magia celta – Draíocht, 267
Capítulos
47 Varinhas encantadas, 271
48 Glannad na Draíocht, 283
49 Ritual de invocação do Guardião Encantado, 284
50 Celebrações do calendário céltico, 288
51 Canção encantada do País das Fadas, 294
52 Encantamento para visitar o País das Fadas, 296
53 Ritual celta de proteção da criança, 299
54 Ritual celta de casamento, 305
55 Ritual celta de preparação para a desencarnação, 315
56 Criando uma barreira druídica de proteção — airbe drùad — para o lar e para seus moradores, 317
57 O Pote da Abundância e Prosperidade, 325
58 Encantamento para obter a dá sheallach ou segunda visão, 326
59 Pós encantados, 328
60 Encantamento para afastar inimigos, 331
61 Poções encantadas, 332
62 Feitiço para anular maldições, 337
63 Juramento das bruxas celtas, 340

Parte 6 As bruxas na história, 341
Capítulos
64 Igreja Católica – a instituição que fala em nome de Deus e Jesus mas usa os métodos do diabo, 344
65 Malleus Malefi carum – a obra que demonizou as mulheres, 347
66 O que a Igreja Católica Apostólica Romana usurpou e distorceu
da Religião Celta, 355
67 Bruxas e Jesus, 363

Parte 7 Ogam – O oráculo céltico das árvores, 365
68 Introdução ao Ogam, 368
69 Signifi cado das letras ogâmicas, 375
70 Métodos de leitura do Ogam, 416

Tabelas para consultas rápidas, 421

Bibliografia, 427

segunda-feira, 16 de abril de 2012

As bruxas celtas existiram?

(Trecho extraído da Introdução do livro "Bruxas")


A mitologia celta é povoada por bruxas e feiticeiras poderosas que podiam mudar sua própria forma e a das pessoas e transformá-las em animais ou objetos, eram videntes, previam o futuro, estavam sempre às voltas com o povo das fadas e outras criaturas encantadas, indo e vindo do Faery e do Outro Mundo.
Nos mitos também aparecem bruxos, embora com menor frequência, pois o mais comum é que a fi gura masculina represente papéis como de heróis-guerreiros, druidas e bardos. A mulher celta, por sua vez, não fica atrás e também exerce funções como as de rainha, guerreira, druidisa, barda, satirista e profetisa.
As bruxas das narrativas célticas antigas não necessariamente eram personagens más, apesar de existirem algumas que tinham especial vocação para a maldade, entretanto, nem sempre podiam ser consideradas essencialmente boas. Eram apenas mulheres dotadas de poderes “sobrenaturais” (para mim não existem poderes sobrenaturais, sendo antes poderes naturais dos quais todos os seres humanos são dotados, porém, algumas pessoas os desenvolvem mais que outras e aprendem a usá-los), portadoras do conhecimento ancestral da religião celta, conquanto estivessem ainda sujeitas às paixões humanas.
Há uma discussão acadêmica entre arqueólogos, historiadores, pesquisadores e professores acerca da veracidade das informações que constam dos mitos célticos. Para alguns, não passam de folclore ou lendas e não devem receber maior importância além da cultural.
Todavia, para outros estudiosos, os mitos preservaram histórias reais que ocorreram há milênios e que, passadas de geração a geração, ganharam componentes fantásticos e irreais. Mesmo assim, tais histórias não podem ser descartadas, devendo antes ser analisadas cuidadosamente, procurando-se deixar de lado os atributos fantasiosos sem desprezar as valiosas informações de ocorrências históricas entre os povos celtas antigos.
Em adoção a este segundo entendimento sobre os mitos célticos, se há tantos relatos sobre bruxas e feiticeiras celtas, deve existir um fundo de verdade, isto é, provavelmente no mundo céltico da antiguidade bruxas e feiticeiras foram mulheres de carne e osso que possuíam dons espirituais especiais e os usaram para o bem ou para o mal.

Para saber mais sobre quem eram as bruxas celtas e os rituais, encantamentos, feitiços que praticavam na antiguidade, leia "Bruxas". Lançado em maio/2012.


quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

O Calendário Celta


“Quatro estações vamos celebrar,
Duendes e fadas vêm nos encantar,
Olhos bem abertos, boca bem fechada,
Nunca entre no País das Fadas.

No Samhain, não saia de casa ao anoitecer,
No Beltaine, o fogo da vida irá te aquecer,
No Imbolc, o amor verdadeiro você pode encontrar,
No Lughnasad, abundância e prosperidade você terá.” 
(Canção das Quatro Estações – Katherine Black)*

O antigo ano céltico era dividido em duas estações: a estação fria, em gaélico giamon, em irlandês gaimred e em galês (do País de Gales) gaeaf e a estação quente, em gaélico samon, em irlandês samrad e em galês haf. Esta divisão era aplicada em todo o mundo celta. Cada uma destas duas estações estava dividida em duas metades, e cada uma delas, dividida mais uma vez em quatro dias e as noites que os precediam, nas quais ocorriam as celebrações.
Os celtas das ilhas e da Gália celebravam quatro datas sazonais, todas associadas com o ano fazendário (de plantio e criação de animais). Eram os festivais dos picos das quatro estações, chamados pelos celtas da Irlanda de Imbolc, Beltaine, Lughnasad e Samhain. Celtas de outras regiões davam nomes diferentes para estas celebrações. E havia, ainda, os celtas que celebravam oito festivais anuais, que eram as entradas das estações, mais especificamente os solstícios e os equinócios, além das quatro comemorações ditas acima.
Além destas celebrações comuns a todos os celtas, existiam no mundo celta antigo os rituais e festivais locais ou regionais comemorados por determinadas tribos célticas, a incrementar e personalizar o calendário céltico.  
Os celtas dividiam os meses e “as noites”, pois não contavam os “dias” como atualmente procedemos, mas sim “noites”. As noites e os meses eram divididos em “bons” ou “auspiciosos”, chamados de mat, em irlandês maith, em galês mad, ou “não bom” ou “desafortunado”, cuja designação é anm, considerando-se, ainda, que o calendário céltico possuía treze meses lunares e ciclos de dezenove anos.
A Roda Céltica do Ano harmonizou as estações com os ciclos lunares. A véspera do Samhain, que no hemisfério norte corresponde à noite de 31 de outubro, era no calendário celta a primeira noite do décimo primeiro mês. Entretanto, por influência cristã, esse dia foi movido para se tornar o último do décimo mês do calendário gregoriano que usamos até hoje.
Da mesma forma, os celtas determinaram que as outras três celebrações teriam início na primeira noite do segundo, quinto e oitavo meses do calendário céltico, os quais conhecemos hoje como fevereiro, maio e agosto.
Outra observação interessante é que os celtas fixaram o início do ano na metade escura e fria do ano, pois entendiam que as trevas precediam a luz. Todo começo é difícil e é preciso ter força e perseverança para prosperar. Se conseguissem sobreviver ao frio do Outono/Inverno, alcançariam a bonança trazida pela Primavera e Verão.

Imbolc

O Imbolc é comemorado no hemisfério norte em 1º de fevereiro, mas no hemisfério sul deve ser comemorado em 1º de agosto. É uma celebração de Inverno e marcava no ano céltico o início da lactação das ovelhas, prenunciando o fim do Inverno.
A partir do Imbolc, a luz começava a se sobressair em relação às trevas; os dias tornavam-se mais longos até a Primavera, quando dia e noite se equilibravam, já que durante o Inverno o período de luz solar era mais curto, amanhecia mais tarde e escurecia mais cedo, e as noites eram longas e frias.
Porém, mesmo sendo um período difícil para os celtas, era a época em que os casais podiam ficar juntos em seus lares. Por isso, na antiga tradição dos celtas da Irlanda, a época propícia para realizar casamentos ocorria entre a Twelfth Night ou “Décima-segunda Noite”, que correspondia a 5 de janeiro, e Shrovetide, ou seja, o início de março (veja o artigo sobre o Beltaine – edição de outubro/11), ou seja, em pleno Inverno.
Isso porque no final do Inverno e início da Primavera, os campos se tornavam novamente férteis, oferecendo novas pastagens para o gado e oportunidade de cultivo da terra. Os homens deixavam seus lares para conduzir o gado a estas pastagens, que ficavam afastadas das comunidades, enquanto mulheres e crianças cuidavam da terra.
Os novos casais, que se uniam em janeiro, ou seja, logo no início do Inverno, tinham até o início da Primavera para estarem juntos. Portanto, o Imbolc marca um período de união, quando as trevas estão em plena força e toda a Natureza está adormecida. Só havia uma chance de sobreviver, e era se unindo em seus lares, diante do calor do fogo sagrado acendido no Samhain, contando apenas com os alimentos que conseguiram estocar na Primavera e no início do Outono.
Nesta época, era preciso tentar manter uma dieta razoavelmente saudável para não adoecer. Por outro lado, a falta do leite e de frutas e vegetais frescos por quase seis meses se traduzia em um período de privações, ao qual somente os mais bem preparados poderiam sobreviver.
Estar unido em família, ter o calor do fogo e do amor era a única chance que os clãs tinham de sobreviverem ao rigoroso Inverno, que além das dificuldades físicas, obrigava os celtas a enfrentarem o frio e a escuridão de suas próprias almas. Quem passasse por esta prova renasceria com a Natureza na Primavera, mais fortalecido e sábio.
A deusa associada ao Imbolc é Brígida ou Brigite, uma feiticeira poderosa, filha do deus Dagda. Peça a ela proteção e força para vencer as dificuldades, os desafios que a vida lhe traz.

Lugnasad
  
Era uma celebração mais agrária que pastoril, que ocorria no hemisfério norte em 1º de agosto. No hemisfério sul, o Lughnasad deve ser comemorado em 1º de fevereiro. Na Gália, esta celebração era chamada de Rivros (agosto) e na Inglaterra, August ou Agosto. Lughnasad, Lugnasad (no irlandês clássico), Lughnasa, era um ritual dedicado ao deus Lug ou Lugh. Os celtas da Gália deram o nome de Lugos/Lugus para a cidade que os romanos chamaram de Lugdunum e hoje é Lyon, na França.
Nos contos irlandeses antigos consta que Lug estabeleceu esta celebração em honra a sua mãe, Tailtiu at Brega, no Condado de Meath. As festividades incluíam corridas de cavalos e combates de artes marciais. Logo esta celebração se espalhou e os celtas da Escócia também a incluíram em seus calendários sob o nome de Lunasduinn. Na Ilha de Man, passou a se chamar Laa Luanistyn.
No período anglo-saxão, o 1º de Agosto tornou-se o Dia de Lammas na Escócia e na Inglaterra, da palavra anglo-saxã hlafmaesse (massa de pão ou pão em massa).
Esse festival não tinha muita importância para os celtas que ocuparam o País de Gales e a Cornualha, locais onde o nome não carregava qualquer eco do deus Lug, pois chamavam esta celebração de Calan Awst (primeiro de agosto) e Morvah, respectivamente.
Os celtas celebravam o Lugnasad (pronuncia-se lúnasa), que era no meio do Verão, para pedir aos deuses que garantissem suas colheitas. Este ritual antecedia as primeiras colheitas, especialmente da cevada e do trigo. Quando a colheita da cevada e do trigo já estivesse bem adiantada, significava que as batatas estavam maturadas e poderiam ser também colhidas.
  
As celebrações do Lugnasad envolviam além dos jogos, que muitas vezes eram até violentos, que os participantes subissem morros e montanhas, alcançando assim o sídh, onde estariam mais próximos das divindades do céu, e podiam colher uvas-do-monte, que nesta época já estavam maduras. O Lugnasad marcava, ainda, o início da época do acasalamento dos rebanhos e seguindo o exemplo da Natureza, era um período de grande atividade sexual entre os celtas.
O foco deste ritual, apesar de estar ligado ao deus Lug, não era o próprio, mas sim a deusa-mãe ou a Grande Mãe, qualquer que fosse o nome que cada tribo celta lhe atribuísse. Era importante render honras à Grande Mãe, para terem certeza de que suas colheitas seriam fartas e que suas provisões para os meses frios do Outono/Inverno estariam asseguradas.
Não se trata de um ritual para agradecimentos, pois os celtas entendiam que a partir do momento em que fizessem sua parte que era trabalhar a terra e cuidar bem dos animais e honrar os deuses, teriam o retorno certo que era a fartura e a abundância em suas mesas.
Para saber sobre o Samhain e o Beltaine, veja respectivamente as edições de maio/2011 e outubro/2011 da revista UP Universos Paralelos.

A deusa que há mim saúda a deusa ou o deus que há em você!

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Talismãs - Parte 2 (final)


Nesta segunda e última parte sobre talismãs/amuletos, apresentarei mais alguns símbolos que poderão ser usados. Entretanto, surgiu uma pergunta bem pertinente após o artigo anterior: “Como e porque os amuletos funcionam?”.
Como escrevi anteriormente, o segredo para que um amuleto/talismã seja realmente poderoso e  eficiente está no símbolo escolhido e na correta consagração, ou seja, na realização do ritual. Isto equivale dizer que deve haver um símbolo, que pode ser escolhido por significar algo para quem cria o talismã, mas não necessariamente, podendo ser escolhido por chamar a atenção, pois os símbolos estão no inconsciente coletivo e, ao mesmo tempo que são individuais, são universais. Assim, se um símbolo cujo significado lhe é desconhecido chamar sua atenção, use-o, pois seu inconsciente o reconheceu e precisa da energia que ele poderá lhe proporcionar.
Por outro lado, o material escolhido para criar o talismã adquire importância se considerarmos que os cristais naturais possuem a propriedade físico-química de armazenarem energia. Este estudo científico está exposto mais adiante.
Sobre os símbolos, reporto-me a Jung, cujas observações e estudos fornecem rico material, bem oportuno ao presente artigo.  
                                  
Os símbolos arquetípicos segundo Jung (subtítulo)

Carl Gustav Jung (26/07/1875 – 06/06/1961), foi um psiquiatra suíço fundador da Psicologia Analítica ou Psicologia Junguiana. Em suas viagens à África, Índia e diversas tribos norte-americas, Jung se interessou pelos rituais passando a estudá-los. Concluiu que um ritual é realizado com um propósito, que pode ser consciente ou inconsciente, cujas representações são baseadas em arquétipos, expressando sua mensagem simbolicamente. Quando o praticante ou participante se deixa envolver pelo ritual, os arquétipos o conduzem a uma significação, capaz de proporcionar a transformação. Portanto, não é o ritual em si que efetua a transformação, ele é apenas um veículo para que a mesma possa ocorrer.
Para Jung, os símbolos possuem objetivos os quais, embora funcionando de uma maneira definida, em geral são difíceis de verbalizar. Desta forma, expressam-se por analogias. O processo simbólico é uma experiência de imagens e por imagens. Seu desenvolvimento é compatível com a lei da enantiodromia, (princípio de que uma dada posição eventualmente se desloca na direção de seu oposto) e dá provas da existência de uma compensação em ação, isto é, de que a atitude da consciência está sendo equilibrada por um movimento originado no inconsciente.
Jung escreveu: “Da atividade do inconsciente emerge agora um novo conteúdo, constelado por tese e antítese em igual medida e mantendo-se em relação compensatória com ambos. Portanto, forma o espaço intermédio em que os opostos podem ser unidos”. Comparativamente, significa que ao se assumirmos uma ou outra posição, apenas reafirmamos posições, mudamos de um lado para o outro. Entretanto, o símbolo pode ajudar no sentido de não ser lógico e ter natureza paradoxal. Ele representa o terceiro fator entre as nossas posições opostas, fator este que não existe na lógica, mas fornece uma perspectiva a partir da qual se pode fazer uma síntese dos elementos opostos. Quando confrontado com essa perspectiva, o ego fica liberado para exercer uma reflexão, o que conseqüentemente gera uma escolha, ou seja, uma saída, uma resposta, que muitas vezes pode ser a solução do conflito, ou ao menos conduz a ela.
Os símbolos são expressões pictóricas cativantes, são retratos indistintos, metafóricos e enigmáticos da realidade psíquica. O conteúdo, isto é, o significado dos símbolos, está longe de ser óbvio; em vez disso, é expresso em termos únicos e individuais, e ao mesmo tempo participam de imagens universais. Quando trabalhamos com os símbolos, eles podem ser reconhecidos como aspectos daquelas imagens que controlam, ordenam e dão significado às nossas vidas. Portanto, sua fonte pode ser buscada nos próprios arquétipos que, por meio dos símbolos, encontram uma expressão mais plena. 

Para saber mais sobre a Psicanálise Junguiana acesse o Dicionário Crítico de Análise Junguiana:

A memória do retículo cristalino (subtítulo)

Quando ministrei cursos sobre Terapia com Cristais, um dos livros que fundamentaram estes cursos foi “A Linguagem Secreta das Pedras”, escrito pelo Prof. Don Robins, químico e arqueólogo que na época, 1.988, integrava o corpo docente do Instituto de Arqueologia de Londres.
O estudo que ele realizou é bem extenso e consta da minha apostila. Entretanto, basicamente  comprovou empiricamente, ou seja, cientificamente, que os cristais possuem a propriedade físico-química de reterem e emanarem ou liberarem energias, o que explicaria, por exemplo, os choques experimentados pelas pessoas nos círculos de pedras, assim como imagens produzidas por determinados cristais, como os crânios de cristal e outras pedras.
Para maiores informações, disponibilizarei a apostila do curso para aquisição através da loja da revista, a partir do mês de setembro, pois preciso providenciar atualizações.
Os cristais possuem um “coração pulsante”, pois energias são absorvidas e armazenadas no que o professor chamou de “retículo cristalino”, sendo liberadas quando estimuladas. Entretanto, observou-se que os cristais possuem, ainda, uma outra propriedade: a de transmutar, modificar estas energias armazenadas. É um estudo muito interessante, totalmente fundado em bases científicas, cujas experiências e comprovações se deram em laboratórios, através de métodos científicos ofertados pela Química e pela Física.
Daí porque ao optarmos por desenharmos os símbolos nos cristais, ou prender a eles os símbolos, estamos entregando ao cristal toda aquela carga arquetípica contida naquele símbolo, imprimindo esta energia no cristal através do ritual de consagração.
Nesta mesma linha de raciocínio, utilizar argila para criar o talismã é outra opção, pois argila é terra, formada por minerais assim como os cristais, assim como nós (microcosmos) e assim como os Universos (macrocosmos).

Símbolos célticos – Os quatro tesouros do thúata dé Danann[1] (subtítulo)

Na mitologia celta, a lenda dos quatro tesouros do povo da deusa Dana ou Danu (thúata dé Danann) são contados em várias histórias principalmente na Irlanda, mas também na Escócia e País de Gales. O povo da deusa Dana partiu para a Irlanda, levando consigo quatro tesouros de quatro cidades mágicas, localizadas no Outro Mundo.
Na consagração, depois de acender as velas, converse em voz alta com a Grande Mãe, deixando claro seu objetivo. A vibração da voz no ar gera energia, que será absorvida pelo talismã impregnando-o, especialmente se for de cristal ou argila. No caso do desenho feito a lápis, o grafite é um mineral condutor, que pode se impregnar de energia e emaná-la.
Ademais, a mera escolha do símbolo em si já impressiona o seu inconsciente, cuja mensagem é que  agora você passará a receber toda a carga emocional e vibracional contida por aquela forma. Por isso é importante realizar o ritual com vontade e fé, falando e mentalizando seu objetivo. Ao contrário do que se imagina, o talismã não atrairá o resultado para você, mas ao contrário, passará a guiá-lo intuitivamente em direção ao objetivo.
São os quatro tesouros:

Pedra da Virtude e do Destino

Essa pedra encantada chamada Fál ou Lia Fáil, veio da cidade de Fálias. Ela tinha o poder de indicar o futuro rei, pois ‘chorava’ ao seu toque. A pedra da virtude e do destino pode ser usada para o reequilíbrio sistêmico (cura), abrir os canais sensitivos para a vidência e premonição através de oráculos ou para aflorar alguma qualidade ou habilidade que se julga ser importante.
Faça este talismã consagrando um cristal natural na Lua minguante, que poderá ser usado como pingente ou na cabeceira de sua cama, sob o travesseiro, como achar melhor. Limpe o cristal deixando-o na terra por três noites e energizando-o sob o Sol. Na Lua minguante, ilumine o cristal durante três noites usando em cada noite duas velas, uma roxa e outra preta, para aflorar dons de premonição e vidência ou qualidades e potenciais. Para pedir cura, use uma vela branca e outra preta por noite.  



Lança da Vitória

Esta é a lança do deus Lug, pertencente ao thúata dé Danann, cujo nome era Furiosa, pois era sedenta de sangue e quando lançada em campo de batalha, aniquilava os inimigos. Ela foi trazida da cidade de Gorias para garantir vitória.
Use este talismã, que pode ser desde um desenho da lança até uma miniatura dela, consagrando-o na Lua cheia para ter força, energia, motivação. Este amuleto é especialmente indicado para quem está sofrendo de depressão ou desmotivação, assim como para quem estiver passando por momentos difíceis que exigem resistência física e mental. Consagre-a durante três noites, usando uma vela vermelha por noite, novamente falando em voz alta seu intento.  

Caldeirão da Prosperidade e Abundância

O caldeirão do deus Dagda foi trazido da cidade de Murias. Ele nunca esvaziava e quem dele se alimentasse se sentiria satisfeito. Existem duas formas de utilizar este símbolo. A primeira é consagrar um caldeirão de ferro para que possa colocar dentro dele os seus pedidos de prosperidade amarrados numa vela ou queimando-os com álcool. A segunda forma é desenhar o caldeirão, escrever resumidamente dentro dele seu objetivo e envolver o desenho com fita dourada, como explicado no amuleto 3 do artigo da revista de julho, ou enrolando o desenho num citrino para ser usado na bolsa, bolso ou como pingente, como no talismã 2. Este talismã abrirá os canais intuitivos para a percepção dos caminhos a percorrer para obter prosperidade material e espiritual.
Prosperidade e abundância materiais podem ser traduzidas em crescimento e sucesso profissional, melhora e estabilização da condição financeira. Já prosperidade e abundância espirituais são representadas por amizades sinceras, o amor daqueles à sua volta, momentos felizes. Para mim, estes são os verdadeiros tesouros que chamo de tesouros da alma, os quais são nossas verdadeiras conquistas e posses, acompanhando-nos inclusive no Outro Mundo. A consagração deverá ser feita com uma vela amarela e outra verde, durante três noites de Lua crescente. No caso do caldeirão de ferro, acenda as velas dentro dele.

Espada da Decisão

Esta espada encantada, pertencente ao deus Nuadu ou Nuada, oriunda de Findias, protegia seu portador contra todo o mal, especialmente durante as batalhas, e como a lança de Lug, não deixava que o inimigo escapasse.
Use este amuleto, desenhado ou em miniatura, para abrir os caminhos, encontrar soluções quando a situação estiver confusa e você não conseguir visualizar a saída ou solução. Este talismã também pode ser usado como proteção contra energias negativas, desequilíbrios sistêmicos (vulgo doenças), para que quem o usar seja intuído sobre o melhor caminho a seguir, sobre os perigos que o espreitam ou sobre os comportamentos e atitudes mentais e emocionais que podem levá-lo ao desequilíbrio sistêmico. Se o seu sistema já estiver comprometido, use este talismã para descobrir como se equilibrar e se restabelecer. Consagre-o na Lua nova, com três velas azuis.

Símbolos xamânicos

Apanhador de Sonhos

Aparentemente, o apanhador de sonhos, entre nós chamado de ‘filtro dos sonhos’, foi criado pela tribo norte-americana Ojibway, Ojibwa ou Ojibwe, mas esta informação é incerta. De qualquer modo, foi adotado por praticamente todas as outras nações indígenas e tornou-se conhecido pelos brancos por volta dos anos 60/70, nos Estados Unidos.
Conta a lenda que o dream catcher ou “apanhador de sonhos” foi criado por Iktomi, ou a aranha, que também teceu toda a teia da vida. Ela entregou-o a um chefe Ojibway que estava meditando no topo de uma montanha, pedindo ao Grande Espírito auxílio para interpretar uma visão que teve em sonho.
Os índios Ojibway acreditavam que quando a noite caía, sonhos e energias emergiam, impregnando todo o ar. Alguns sonhos, mesmo que fossem pesadelos, eram enviados às pessoas pelo Grande Espírito para dar-lhes alguma mensagem. Entretanto, existiam sonhos maus e energias negativas que não vinham do Grande Espírito e simplesmente flutuavam no ar, podendo entrar na mente das pessoas.
Para esses sonhos e energias negativas havia o apanhador de sonhos, que os prendia em sua teia, protegendo quem dormia. Na manhã seguinte, esses sonhos e energias negativas eram dissipados pelos primeiros raios solares. Por outro lado, os sonhos enviados pelo Grande Espírito passariam pelo buraco deixado no centro do apanhador de sonhos, deslizando gentilmente pelas penas penduradas até a mente do destinatário da mensagem.
Para os bebês, os Ojibway faziam os apanhadores de sonhos de salgueiro. Com o tempo, o aro se partia, demonstrando que a criança estava crescendo e que outro apanhador de sonhos maior deveria ser feito.    
Outra história sobre o apanhador de sonhos conta que duas tribos indígenas estavam em guerra e as crianças não conseguiam dormir, pois estavam tendo muitos pesadelos porque o ar estava impregnado de energias negativas. Então, o Grande Espírito enviou uma visão ao xamã da tribo, mandando fazer um círculo com um galho e pendurar numa árvore. Feito isto, uma aranha começou a fiar dentro do círculo, criando uma linda teia. O xamã colocou o objeto dentro da tenda das crianças, elas se acalmaram e conseguiram dormir bem. Pouco tempo depois as tribos fizeram as pazes. A partir daí o apanhador de sonhos passou a ser usado para proteger as pessoas enquanto dormem.
O apanhador de sonhos pode ser feito por você. Faça o aro com um galho de madeira que possa ser dobrado. Os apanhadores de sonhos podem ser usados no ambiente ou como colares, brincos e pulseiras, pois os xamãs também os usavam assim. As penas são parte importante do apanhador de sonhos, portanto, coloque no seu apanhador de sonhos ao menos três penas, preferencialmente que caíram de algum pássaro.
Só de fazer o seu apanhador de sonhos, você já estará impregnando-o com sua energia. Entretanto, se comprá-lo, limpe-o com incenso e consagre-o seguindo sua intuição.  

Outros símbolos (subtítulo)

Existem muitos outros símbolos que podem ser usados para a criação de talismãs como os animais xamânicos (dos índios ou dos celtas), as letras Ogam (alfabeto e oráculo celta – ver no livro Bruxas, em breve) e Runas (alfabeto e oráculo viking), os símbolos ciganos, radiônicos, cabalísticos, do Tarot, os quais abordarei na respectiva seção, etc.
O mais importante é a sua fé e a compreensão do poder contido nos arquétipos e símbolos, tornando seus talismãs e amuletos verdadeiros agentes da transformação rumo aos seus objetivos. 

A deusa que há mim saúda a deusa ou o deus que há em você!


[1] Imagens extraídas da obra “Ogam – The Celtic Oracle of the Trees”, Paul Rhys Mountfort, Ed. Destiny, EUA, 2002.