quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Talismãs - Parte 2 (final)


Nesta segunda e última parte sobre talismãs/amuletos, apresentarei mais alguns símbolos que poderão ser usados. Entretanto, surgiu uma pergunta bem pertinente após o artigo anterior: “Como e porque os amuletos funcionam?”.
Como escrevi anteriormente, o segredo para que um amuleto/talismã seja realmente poderoso e  eficiente está no símbolo escolhido e na correta consagração, ou seja, na realização do ritual. Isto equivale dizer que deve haver um símbolo, que pode ser escolhido por significar algo para quem cria o talismã, mas não necessariamente, podendo ser escolhido por chamar a atenção, pois os símbolos estão no inconsciente coletivo e, ao mesmo tempo que são individuais, são universais. Assim, se um símbolo cujo significado lhe é desconhecido chamar sua atenção, use-o, pois seu inconsciente o reconheceu e precisa da energia que ele poderá lhe proporcionar.
Por outro lado, o material escolhido para criar o talismã adquire importância se considerarmos que os cristais naturais possuem a propriedade físico-química de armazenarem energia. Este estudo científico está exposto mais adiante.
Sobre os símbolos, reporto-me a Jung, cujas observações e estudos fornecem rico material, bem oportuno ao presente artigo.  
                                  
Os símbolos arquetípicos segundo Jung (subtítulo)

Carl Gustav Jung (26/07/1875 – 06/06/1961), foi um psiquiatra suíço fundador da Psicologia Analítica ou Psicologia Junguiana. Em suas viagens à África, Índia e diversas tribos norte-americas, Jung se interessou pelos rituais passando a estudá-los. Concluiu que um ritual é realizado com um propósito, que pode ser consciente ou inconsciente, cujas representações são baseadas em arquétipos, expressando sua mensagem simbolicamente. Quando o praticante ou participante se deixa envolver pelo ritual, os arquétipos o conduzem a uma significação, capaz de proporcionar a transformação. Portanto, não é o ritual em si que efetua a transformação, ele é apenas um veículo para que a mesma possa ocorrer.
Para Jung, os símbolos possuem objetivos os quais, embora funcionando de uma maneira definida, em geral são difíceis de verbalizar. Desta forma, expressam-se por analogias. O processo simbólico é uma experiência de imagens e por imagens. Seu desenvolvimento é compatível com a lei da enantiodromia, (princípio de que uma dada posição eventualmente se desloca na direção de seu oposto) e dá provas da existência de uma compensação em ação, isto é, de que a atitude da consciência está sendo equilibrada por um movimento originado no inconsciente.
Jung escreveu: “Da atividade do inconsciente emerge agora um novo conteúdo, constelado por tese e antítese em igual medida e mantendo-se em relação compensatória com ambos. Portanto, forma o espaço intermédio em que os opostos podem ser unidos”. Comparativamente, significa que ao se assumirmos uma ou outra posição, apenas reafirmamos posições, mudamos de um lado para o outro. Entretanto, o símbolo pode ajudar no sentido de não ser lógico e ter natureza paradoxal. Ele representa o terceiro fator entre as nossas posições opostas, fator este que não existe na lógica, mas fornece uma perspectiva a partir da qual se pode fazer uma síntese dos elementos opostos. Quando confrontado com essa perspectiva, o ego fica liberado para exercer uma reflexão, o que conseqüentemente gera uma escolha, ou seja, uma saída, uma resposta, que muitas vezes pode ser a solução do conflito, ou ao menos conduz a ela.
Os símbolos são expressões pictóricas cativantes, são retratos indistintos, metafóricos e enigmáticos da realidade psíquica. O conteúdo, isto é, o significado dos símbolos, está longe de ser óbvio; em vez disso, é expresso em termos únicos e individuais, e ao mesmo tempo participam de imagens universais. Quando trabalhamos com os símbolos, eles podem ser reconhecidos como aspectos daquelas imagens que controlam, ordenam e dão significado às nossas vidas. Portanto, sua fonte pode ser buscada nos próprios arquétipos que, por meio dos símbolos, encontram uma expressão mais plena. 

Para saber mais sobre a Psicanálise Junguiana acesse o Dicionário Crítico de Análise Junguiana:

A memória do retículo cristalino (subtítulo)

Quando ministrei cursos sobre Terapia com Cristais, um dos livros que fundamentaram estes cursos foi “A Linguagem Secreta das Pedras”, escrito pelo Prof. Don Robins, químico e arqueólogo que na época, 1.988, integrava o corpo docente do Instituto de Arqueologia de Londres.
O estudo que ele realizou é bem extenso e consta da minha apostila. Entretanto, basicamente  comprovou empiricamente, ou seja, cientificamente, que os cristais possuem a propriedade físico-química de reterem e emanarem ou liberarem energias, o que explicaria, por exemplo, os choques experimentados pelas pessoas nos círculos de pedras, assim como imagens produzidas por determinados cristais, como os crânios de cristal e outras pedras.
Para maiores informações, disponibilizarei a apostila do curso para aquisição através da loja da revista, a partir do mês de setembro, pois preciso providenciar atualizações.
Os cristais possuem um “coração pulsante”, pois energias são absorvidas e armazenadas no que o professor chamou de “retículo cristalino”, sendo liberadas quando estimuladas. Entretanto, observou-se que os cristais possuem, ainda, uma outra propriedade: a de transmutar, modificar estas energias armazenadas. É um estudo muito interessante, totalmente fundado em bases científicas, cujas experiências e comprovações se deram em laboratórios, através de métodos científicos ofertados pela Química e pela Física.
Daí porque ao optarmos por desenharmos os símbolos nos cristais, ou prender a eles os símbolos, estamos entregando ao cristal toda aquela carga arquetípica contida naquele símbolo, imprimindo esta energia no cristal através do ritual de consagração.
Nesta mesma linha de raciocínio, utilizar argila para criar o talismã é outra opção, pois argila é terra, formada por minerais assim como os cristais, assim como nós (microcosmos) e assim como os Universos (macrocosmos).

Símbolos célticos – Os quatro tesouros do thúata dé Danann[1] (subtítulo)

Na mitologia celta, a lenda dos quatro tesouros do povo da deusa Dana ou Danu (thúata dé Danann) são contados em várias histórias principalmente na Irlanda, mas também na Escócia e País de Gales. O povo da deusa Dana partiu para a Irlanda, levando consigo quatro tesouros de quatro cidades mágicas, localizadas no Outro Mundo.
Na consagração, depois de acender as velas, converse em voz alta com a Grande Mãe, deixando claro seu objetivo. A vibração da voz no ar gera energia, que será absorvida pelo talismã impregnando-o, especialmente se for de cristal ou argila. No caso do desenho feito a lápis, o grafite é um mineral condutor, que pode se impregnar de energia e emaná-la.
Ademais, a mera escolha do símbolo em si já impressiona o seu inconsciente, cuja mensagem é que  agora você passará a receber toda a carga emocional e vibracional contida por aquela forma. Por isso é importante realizar o ritual com vontade e fé, falando e mentalizando seu objetivo. Ao contrário do que se imagina, o talismã não atrairá o resultado para você, mas ao contrário, passará a guiá-lo intuitivamente em direção ao objetivo.
São os quatro tesouros:

Pedra da Virtude e do Destino

Essa pedra encantada chamada Fál ou Lia Fáil, veio da cidade de Fálias. Ela tinha o poder de indicar o futuro rei, pois ‘chorava’ ao seu toque. A pedra da virtude e do destino pode ser usada para o reequilíbrio sistêmico (cura), abrir os canais sensitivos para a vidência e premonição através de oráculos ou para aflorar alguma qualidade ou habilidade que se julga ser importante.
Faça este talismã consagrando um cristal natural na Lua minguante, que poderá ser usado como pingente ou na cabeceira de sua cama, sob o travesseiro, como achar melhor. Limpe o cristal deixando-o na terra por três noites e energizando-o sob o Sol. Na Lua minguante, ilumine o cristal durante três noites usando em cada noite duas velas, uma roxa e outra preta, para aflorar dons de premonição e vidência ou qualidades e potenciais. Para pedir cura, use uma vela branca e outra preta por noite.  



Lança da Vitória

Esta é a lança do deus Lug, pertencente ao thúata dé Danann, cujo nome era Furiosa, pois era sedenta de sangue e quando lançada em campo de batalha, aniquilava os inimigos. Ela foi trazida da cidade de Gorias para garantir vitória.
Use este talismã, que pode ser desde um desenho da lança até uma miniatura dela, consagrando-o na Lua cheia para ter força, energia, motivação. Este amuleto é especialmente indicado para quem está sofrendo de depressão ou desmotivação, assim como para quem estiver passando por momentos difíceis que exigem resistência física e mental. Consagre-a durante três noites, usando uma vela vermelha por noite, novamente falando em voz alta seu intento.  

Caldeirão da Prosperidade e Abundância

O caldeirão do deus Dagda foi trazido da cidade de Murias. Ele nunca esvaziava e quem dele se alimentasse se sentiria satisfeito. Existem duas formas de utilizar este símbolo. A primeira é consagrar um caldeirão de ferro para que possa colocar dentro dele os seus pedidos de prosperidade amarrados numa vela ou queimando-os com álcool. A segunda forma é desenhar o caldeirão, escrever resumidamente dentro dele seu objetivo e envolver o desenho com fita dourada, como explicado no amuleto 3 do artigo da revista de julho, ou enrolando o desenho num citrino para ser usado na bolsa, bolso ou como pingente, como no talismã 2. Este talismã abrirá os canais intuitivos para a percepção dos caminhos a percorrer para obter prosperidade material e espiritual.
Prosperidade e abundância materiais podem ser traduzidas em crescimento e sucesso profissional, melhora e estabilização da condição financeira. Já prosperidade e abundância espirituais são representadas por amizades sinceras, o amor daqueles à sua volta, momentos felizes. Para mim, estes são os verdadeiros tesouros que chamo de tesouros da alma, os quais são nossas verdadeiras conquistas e posses, acompanhando-nos inclusive no Outro Mundo. A consagração deverá ser feita com uma vela amarela e outra verde, durante três noites de Lua crescente. No caso do caldeirão de ferro, acenda as velas dentro dele.

Espada da Decisão

Esta espada encantada, pertencente ao deus Nuadu ou Nuada, oriunda de Findias, protegia seu portador contra todo o mal, especialmente durante as batalhas, e como a lança de Lug, não deixava que o inimigo escapasse.
Use este amuleto, desenhado ou em miniatura, para abrir os caminhos, encontrar soluções quando a situação estiver confusa e você não conseguir visualizar a saída ou solução. Este talismã também pode ser usado como proteção contra energias negativas, desequilíbrios sistêmicos (vulgo doenças), para que quem o usar seja intuído sobre o melhor caminho a seguir, sobre os perigos que o espreitam ou sobre os comportamentos e atitudes mentais e emocionais que podem levá-lo ao desequilíbrio sistêmico. Se o seu sistema já estiver comprometido, use este talismã para descobrir como se equilibrar e se restabelecer. Consagre-o na Lua nova, com três velas azuis.

Símbolos xamânicos

Apanhador de Sonhos

Aparentemente, o apanhador de sonhos, entre nós chamado de ‘filtro dos sonhos’, foi criado pela tribo norte-americana Ojibway, Ojibwa ou Ojibwe, mas esta informação é incerta. De qualquer modo, foi adotado por praticamente todas as outras nações indígenas e tornou-se conhecido pelos brancos por volta dos anos 60/70, nos Estados Unidos.
Conta a lenda que o dream catcher ou “apanhador de sonhos” foi criado por Iktomi, ou a aranha, que também teceu toda a teia da vida. Ela entregou-o a um chefe Ojibway que estava meditando no topo de uma montanha, pedindo ao Grande Espírito auxílio para interpretar uma visão que teve em sonho.
Os índios Ojibway acreditavam que quando a noite caía, sonhos e energias emergiam, impregnando todo o ar. Alguns sonhos, mesmo que fossem pesadelos, eram enviados às pessoas pelo Grande Espírito para dar-lhes alguma mensagem. Entretanto, existiam sonhos maus e energias negativas que não vinham do Grande Espírito e simplesmente flutuavam no ar, podendo entrar na mente das pessoas.
Para esses sonhos e energias negativas havia o apanhador de sonhos, que os prendia em sua teia, protegendo quem dormia. Na manhã seguinte, esses sonhos e energias negativas eram dissipados pelos primeiros raios solares. Por outro lado, os sonhos enviados pelo Grande Espírito passariam pelo buraco deixado no centro do apanhador de sonhos, deslizando gentilmente pelas penas penduradas até a mente do destinatário da mensagem.
Para os bebês, os Ojibway faziam os apanhadores de sonhos de salgueiro. Com o tempo, o aro se partia, demonstrando que a criança estava crescendo e que outro apanhador de sonhos maior deveria ser feito.    
Outra história sobre o apanhador de sonhos conta que duas tribos indígenas estavam em guerra e as crianças não conseguiam dormir, pois estavam tendo muitos pesadelos porque o ar estava impregnado de energias negativas. Então, o Grande Espírito enviou uma visão ao xamã da tribo, mandando fazer um círculo com um galho e pendurar numa árvore. Feito isto, uma aranha começou a fiar dentro do círculo, criando uma linda teia. O xamã colocou o objeto dentro da tenda das crianças, elas se acalmaram e conseguiram dormir bem. Pouco tempo depois as tribos fizeram as pazes. A partir daí o apanhador de sonhos passou a ser usado para proteger as pessoas enquanto dormem.
O apanhador de sonhos pode ser feito por você. Faça o aro com um galho de madeira que possa ser dobrado. Os apanhadores de sonhos podem ser usados no ambiente ou como colares, brincos e pulseiras, pois os xamãs também os usavam assim. As penas são parte importante do apanhador de sonhos, portanto, coloque no seu apanhador de sonhos ao menos três penas, preferencialmente que caíram de algum pássaro.
Só de fazer o seu apanhador de sonhos, você já estará impregnando-o com sua energia. Entretanto, se comprá-lo, limpe-o com incenso e consagre-o seguindo sua intuição.  

Outros símbolos (subtítulo)

Existem muitos outros símbolos que podem ser usados para a criação de talismãs como os animais xamânicos (dos índios ou dos celtas), as letras Ogam (alfabeto e oráculo celta – ver no livro Bruxas, em breve) e Runas (alfabeto e oráculo viking), os símbolos ciganos, radiônicos, cabalísticos, do Tarot, os quais abordarei na respectiva seção, etc.
O mais importante é a sua fé e a compreensão do poder contido nos arquétipos e símbolos, tornando seus talismãs e amuletos verdadeiros agentes da transformação rumo aos seus objetivos. 

A deusa que há mim saúda a deusa ou o deus que há em você!


[1] Imagens extraídas da obra “Ogam – The Celtic Oracle of the Trees”, Paul Rhys Mountfort, Ed. Destiny, EUA, 2002.

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