segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

O TARÔ COMO MEIO, FIM E COMEÇO

Jung descobriu o que chamou de inconsciente coletivo. Sua contribuição à humanidade foi inimaginável, até mesmo para ele, posto ter estudado o maior mistério de todos: a mente humana. Jung traduziu a mente em consciente (soma dos símbolos e sensações disponíveis à nossa consciência), inconsciente (representado por todos os aspectos da experiência que o indivíduo não pode simbolizar por qualquer ra­zão) e o grande paradoxo que é a relação simbiótica que necessariamente deve existir entre ambos “os lados” para que o indivíduo seja e esteja equilibrado e harmonioso.
Fez, ainda, uma distinção entre o inconsciente pessoal e o inconsciente coletivo, sendo este último a somatória de todas as experiências de uma coletividade humana, seja uma nação, uma tribo, uma raça ou mesmo toda a humanidade.
A palavra “arquétipo”, muito aplicada no estudo do Tarot, é na definição junguiana “uma tendência abstrata e genérica que está por trás de determinada manifestação. Assim, cada aspecto objetivo da realidade expressa um arquétipo. Por exemplo, os instin­tos sexuais são uma forma de expressão do arquétipo da reprodução.
Para Jung, o ser humano é o produto da manifestação de alguns arquétipos básicos, como a persona (a máscara que apresentamos ao mundo, nossa couraça, aquilo que mostramos aos outros), o ego (nosso auto-conceito, aquilo que consideramos como sendo nós mesmos), sombra (a soma das características que não aceitamos em nós mesmos e, por isso, negamos, tornando-as inconscientes e projetan­do-as em outras pessoas), animus (soma das qualidades masculinas contidas na mulher), anima (lado feminino no homem) e o eu (que representa a totalidade da psique humana, o centro de crescimento e evolução de cada indivíduo).
Segundo Jung, o homem tende a evoluir psicologicamente no sentido de obter uma crescente integração entre o consciente e o incons­ciente pessoais, num processo que ele chamou de individuação. Esse processo envolve a progressiva tomada de consciência das manifestações dos arquétipos inconscientes da psique - a persona, a sombra, o animus ou anima e, finalmente, a relação consciente com o eu, o centro vital do psiquismo. Posteriormente, observou que há uma tendência no indivíduo de en­trar em relação consciente com o inconsciente coletivo.
Isso significa que é no inconsciente coletivo que se pode buscar o simbolismo contido ou que existiu no Tarot em algum momento pregresso. Na abordagem junguiana, o símbolo é tudo o que desperta em nós idéias e emoções vagas e complexas, e normalmente é representado por uma imagem (a triskle, por exemplo).
O símbolo é visto, também, como uma forma de expressão dos arquétipos, tanto indi­viduais como coletivos, e só pode ser interpretado no contexto indivi­dual ou cultural em que se apresenta. Sobre os símbolos, leia os artigos de Magia Atemporal das edições de junho e julho/2011.
Ao acessarmos os símbolos contidos no inconsciente coletivo, teremos acesso ao  conhecimento e à sabedoria. E como fazer essa ligação conscientemente? A resposta é paradoxalmente simples e complexa: através do Tarot. Você pode se perguntar: “Do Tarot cujo simbolismo foi deturpado e em parte perdido ao longo dos séculos?” E eu respondo: “Exatamente!”
Partiremos do princípio de que “o que está embaixo, assim também é acima”. É um princípio alquímico e espiritual poderoso que encerra grande sabedoria. Se o Tarot é uma codificação simbólica para o conhecimento não só do ser ou do tempo, mas especialmente do micro (ser humano) e do macrocosmo (Universos), nada mais lógico que usar esta simbologia para ligar nosso inconsciente individual com o coletivo, acessando toda a carga armazenada desde o começo dos tempos neste planeta.
Mesmo que o Tarot que chegou até nós hoje esteja em parte perdido ou desvirtuado, ainda existem nele símbolos preservados os quais poderemos usar para o nosso intento. E acessando o inconsciente coletivo através destes símbolos, receberemos o conhecimento que nos foi dado num passado distante, perdido pela passagem de Cronos (tempo).
O Tarot, neste caso, não é o objetivo final, mas é o veículo para um alcance maior, para a amplitude da consciência, do eu e do Todo. E nesta via de mão dupla, ao trabalharmos com o ‘veículo’ e ao atingirmos o Todo (conhecimento através do inconsciente coletivo), conheceremos mais do simbolismo, vislumbraremos os verdadeiros mistérios e segredos outrora impressos ocultamente (por símbolos) no ‘veículo’ (Tarot).

A deusa que há em mim saúda a deusa ou o deus que há em você!

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